Reflexão sobre o mercado da moda pós-crises. Part.III– Modificações na concepção do vestuário pós período de crise

Modificações na concepção do vestuário pós período de crise

Se você chegou até aqui tenho certeza que está se perguntando: Bom Gabi, nós não te nessa viagem um tanto extensa para uma geração que independente da sua classificação alfabetaria (XYZ) está acostumada com conteúdos bem mais sucintos, para que você me conte de uma outra forma, tudo que eu já posso encontrar em tanto outros livros de história da moda, não é? 

Não! Até mesmo porque se almejo que vocês prossigam comigo ao momento crucial dessa reflexão (obrigada por me dizer so agora!), não seria adequado eu dizer o contrário.

Sendo assim, lhes proponho um resumo das principais mudanças que pudemos constatar após as últimas crises:

Fato

Toda era de excessos é seguida de uma era de recessão. Lei de causa e efeito, faz com que toda ação gera uma reação. Sendo assim podemos concluir que os comportamentos da sociedade antes do período das guerras geraram as seguintes tendências no mercado da moda:

  • As saias diminuíram
  • Os punhos e as palas duplas foram instintos
  • Os modelos passaram a ter menos bolsos
  • Os botões foram menos utilizados dando assim lugar para fechos visíveis e invisíveis
  • As roupas passaram a serem menos sofisticadas e mais simples de confeccionar
  • A quantidade de roupas foram reduzidas
  • Para diversificar as roupas, o uso de acessórios se tornou mais acentuado
  • Os extremos ganharam seu lugar: As roupas se tornaram básicas para uma parte da sociedade e para outra excessivas
  • Tecidos antes destinados unicamente a roupas íntimas passaram a fazer parte do vestuário como um todo 

Mas de acordo com a crise que vivemos, o que podemos retirar dessas experiência para compreendermos a moda que vestiremos?  

Se pararmos para pensar atualmente passamos o dia ou boa parte dele de pijamas, pois nossa necessidade de vestir uma só faceta entre as nossas múltiplas que nos habitam, se tornou restrita.

Devido a necessidade de ficarmos em casa boa parte do nosso tempo, tivemos o prazer de experimentar a sensação de sermos simplesmente nós, mesmo diante da multiplicidade que habita um só ser. 

E para encarnarmos tantas personalidade em uma só, nada melhor que um look confortável afinal quanto maior o número de personalidade que temos mais confortável deve ser a nossa indumentária, não é mesmo (ouço risos se reproduzirem simultaneamente, vulgo haha). 

Bom Gabi, você está afirmando que nos tornaremos todos produtores de pijamas oversize? 

Não, mesmo se não é do meu costume ser negativa, repito  que não. Até mesmo porque sou capaz de conceber que não só o pijama merece de ser categorizado como confortável.

Existem tantos outros trajes que podem ser categorizados como tal, se mostrando assim aptos a encarnar nossas múltiplas facetas como:

  • Roupas que facilitam os nossos movimentos 
  • Roupas que sejam fáceis de se comporem: conjuntos, vestidos, macacões e jardineiras
  • Que durem
  • Que respiram
  • Que sejam feitas com matérias primas confortáveis
  • Que não precisem serem passadas
  • Que tenham aspecto amassado evitando assim serem passadas 
  • Que transmitem mensagem mesmo a distância
  • Que interpelam
  • Que permitem ser usadas em diferentes horários do dia
  • Diferentes ocasiones
  • Diferentes estações
  • Que possam ser utilizadas
  • Transportadas com facilidade
  • Que possam ser feitas em casa ou próximo dela
  • Fáceis de serem confeccionadas 
  • Neutras
  • Fáceis de harmonizarem entre si
  • Confortáveis (de novo, pois ele merece)
  • Que nos inspiram confiança
  • Que nos façam sentir gratidão
  • Que nos fassam sentir úteis
  • Que nos permitem contribuir para o meio ambiente
  • Para com a sociedade
  • Para com os mais necessitados
  • Que nos proporcione alegria, satisfação
  • Que não “saem de moda”
  • Roupas que combinem com sapatos confortáveis como: mule, mocassins, tênis, sandálias baixas, sapatilhas, birken, chinelos 

Outro fato é que diferentemente de quando tínhamos uma vida social ativa, uma só indumentária se tornou propícia para várias ocasiões. Sendo assim se não quisermos passar o dia de pijamas, qualquer que seja a roupa que escolhemos, podemos com ela atuarmos em diferentes cenários da nossa vida.

Com a mesma roupa que escolhemos pela manhã podemos, cozinhar, cuidar dos nossos filhos, fazer Yoga, participar do call durante o home office e assistir uma apresentação de Ballet clássico à partir do nosso computador.

Nós continuamos a ter diferentes personas, mais a roupa não mais precisa se adaptar a cada uma delas. Dessa forma a necessidade que ela seja autêntica e capaz de representar quem nós somos se torna mais acentuada que outrora e em detrimento da representação da nossa personalidade para determinada ocasião. 

Além disso a necessidade que antes tínhamos de reproduzir os signos vestimentas, dentro de um contexto social será possivelmente minimizada uma vez que esse contato social será ele igualmente reduzido, mesmo após o confinamento. Favorecendo assim o aumento de micronegócios e produções locais que possam melhor representar a individualidade de um grupo de pessoas.

O que fará que a noção de “bom gosto” mute para “gosto próprio” devolvendo assim a responsabilidade de ditar o que deve se vestir, antes reservadas a corte, em seguida ao costureiro e na atualidade ao estilista, ao próprio indivíduo. 

A noção de tempo será também modificada, uma vez que a quantidade de reuniões desnecessária no trabalho, de trajetos, de eventos públicos, de saídas noturnas, visitas artísticas e reuniões religiosas serão reduzidas nos proporcionando mais tempo para nos dedicarmos à atividades antes consideradas supérfluas como cozinhar, limpar, jardinar, cuidar de animais, desenhar, construir, decorar, conversar criar novos amigos, e costurar nos reconciliando com o tempo, ativando a nossa criatividade e nos dando assim a possibilidade de confeccionar nós mesmos as nossas próprias roupas e sobretudo de nos dedicarmos ao que verdadeiramente importa: nossa existência e a do nosso planeta terra. 

Segundo Lidewij Edelkoort “o vírus pode ser visto como uma representação de nossa consciência … que ele destaca o que há de tão errado na sociedade e o torna a cada dia mais evidente”. LI afirma que o vírus é um presente para a nossa sociedade permitindo assim mudar nela o que nós já deveríamos ter mudado, à tempos.  

Sendo assim como microempresa, aproveitarei dessa crise para renascer das cinza da minha sociedade pelo qual faço parte e impulsionar a Dress Me Kindly à ir para o próximo nível.

E você deseja vir comigo nessa viagem sem volta?

______________________

Bibliografia

Revista francesa Historia especial historia da moda n°794 ano 2013

La moda sur toute les coutures: PINAUD, FLORENCE 

Moda, a possibilidade da leveza sustentável: Berlim, Lilyam 

L’Irrégulière ou mon itinéraire Coco Chanel: Charles-Roux, Edmonde 

Videografie

Tenue correcte exigée ! Quand le vêtement fait scandale – Toute L’Histoire : Documentaire

Christian Dior, Designer of Dreams’ at the Musée des Arts Décoratifs: documentaire

The world of Monsieur Dior in his own words

Yves Saint Laurent : filme sobre a sua vida

Coco avant Chanel: filme sobre a sua vida

Audiografie

The Business of Fashion Podcast

Special Edition: Li Edelkoort Says the Coronavirus Is a Representation of our Conscience

Au cœur de l’histoire: Christian Dior, l’inventeur du New Look (Franck Ferrand) : programa de radio 

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