Paris, FR

Reflexão sobre o mercado da moda pós-crises . Part.I

Quando eu estava no ensino médio, uma das minhas matérias favoritas hera história, pois para saber quem nós somos hoje nada melhor que sabermos quem nós fomos ontem, não é mesmo? 

Entre a idade média, moderna e contemporânea a que conseguia mais reter a minha atenção entre um rabisco e outro era a reflexão sobre o período atual da história do mundo ocidental. 

Não por ela ter tido início nos tempos que podemos considerar “atuais”, nem tão pouco por se referir ao período do início da Revolução Francesa, que como seu nome indica ocorreu no país onde hoje vivo. 

Mas sim por ser um período pelo qual os nossos avós tiveram a oportunidade ou falta de escolha de viver à nível internacional, contudo em graus diferentes de acordo com o país pelo qual viveram.

E entre uma guerra e outra os eventos marcantes foram forjando o caráter dos nossos pais e os educando e conduzindo a sociedade que vivemos hoje.

Mas nós “sortudos” que somos escapamos não só da primeira guerra mundial, mais também da segunda e com muita sorte não tivemos a necessidade de vivenciar a terceira. 

Contudo a lembrança das aulas de história não me abandonaram e apesar de eu ter rabiscado mais croquis que anotado o conteúdo dos cursos, algumas informações me restaram me permitindo chegar a evidente e singela conclusão que nós adiamos, mas não conseguimos aliviar o nosso karma suficientemente para nos isentamos da terceira guerra mundial. 

Todavia por uma questão de consciência coletiva a nossa guerra não luta mais contra proteção territorial, imposição de um gênero, divergências culturais ou religiosas mas sim contra o tempo, regredindo assim a sua evolução mental, agindo como um adolescentes que luta para se auto afirmar através da negação das suas origens mesmo que para isso tenha que ir contra a sua mãe Terra. 

Mas eu gostaria de deixar bem claro, que positiva como sou, não estou aqui para ser fatalista pois carrego comigo a consciência que cada vez que o mundo viveu uma guerra, dele saiu renovado ressurgindo literalmente das suas cinzas! 

Sendo assim o objetivo desta reflexão é que possamos repensarmos os nossos erros e através da nossa história melhor compreendermos o nosso presente afim de nos prepararmos para o nosso futuro. De toda forma cabe a nós nesse momento, nos prepararmos para uma viagem sem volta. 

E antes de procedermos o embarque, eu gostaria de comunicar aos navegantes o fato que não estamos aqui para analisarmos a história através das suas evoluções sociais mas sim vestimentas, mesmo que seja impossível separar um do outra. 

E para isso eu lhes seria grato, se me dessem a oportunidade de nos afastarmos dos últimos anos em que a moda tem sido vista como sinônimo de futilidade, para voltarmos no tempo em que ela não foi todavia assim. 

Mesmo que esse julgamento precipitado possa ser compreensivo na atualidade diante do forte investimento de grandes indústrias para com o marketing a fim de nos levar à um consumo desmedido, a moda não se resume ao consumo. 

Ela se reinventa ao longo dos séculos e queiramos ou não a consumimos pelo simples fato de nos vestirmos conforme o nosso tempo e nível social, mesmo que essa narrativa seja feita de forma inconsciente. 

E para que vocês possam melhor compreender o rumo da nossa viagem, permita-me lhe explicar como eu cheguei até aqui. 

Nos últimos anos a escolha da imagem que eu desejo transmitir através da minha roupa tem se tornado um verdadeiro pesadelo. Morando na França à quase 10 anos eu não podia imaginar o quanto um look adaptado a uma situação pudesse ser tão importante. 

Acredito que seja dessa forma em todos os países, contudo o meu despertar para esse fato ocorreu especificamente aqui e após os meus 30 anos. 

Antes eu queria ser somente “EU” sem verdadeiramente me preocupar com a imagem que eu estava veiculando para os outros e até mesmo para mim mesma, até perceber que vivendo em um país onde as pessoas são tão reservadas comparadas com o Brasil, país onde nasci, uma análise de quem eu sou através do meu vestuário era um tanto inevitável.  

Pois sim as nossas roupas devem responder a necessidades imprescindíveis de proteger do frio, nos aliviamos do calor e da exposição extrema que a nudez representa desde dos tempos de Adão e Eva.

Contudo ao passar dos anos ela vem executando cada vez mais o árduo trabalho de definir uma só personalidade de quem somos no exato momento em que nos vestimos, mesmo diante do fato que múltiplas personalidades habitam em nós.

Eu sei, eu sei que faz horas que vocês estão aguardando na sala de embarque e não decolamos até agora mas se o embarque se delongou tanto, é porque o momento de calamidade sanitário o justifica.

E mesmo sendo a condutora dessa viagem não sei lhes guiar o caminho, mas apenas analisar com humildade outros semelhantes já percorridos, para quem sabe com eles aprender e seguir um rumo mais maduro através dos nossos erros e acertos.

Na próxima semana, na 2a parte da nossa Reflexão sobre o Mercado da Moda pós-crises, vou falar sobre A moda após a Segunda República na França.

Você também pode ouvir a 1a Parte da Reflexão sobre o Mercado da Moda pós-crises lá no Spotify:

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