Paris, FR

O que é Slow Fashion e como ela beneficia a sociedade através do consumo de moda consciente?

Das questões sociais ao consumo mais inteligente, a Slow Fashion envolve muito mais do que apenas um “Movimento da Moda”.

 Você já deve ter ouvido falar da Slow Fashion, não é mesmo ? Mas do que ela trata? E qual é a história e os propósito que estão por detrás desse movimento que mais parece uma nova tendência de moda? Para responder essas e tantas outras perguntas, vem comigo para uma reflexão ingênua e empolgada rodeadas de perguntas que provavelmente, não tem jeito, vão ficar sem respostas.

Para que se consiga entender o sentido e a finalidade da Slow Fashion, precisamos relembrar rapidamente um pouco sobre a História da Indústria e como o seu crescimento fez com que a produção do vestuário, se torna-se essa loucura insustentável. Tal como o martelo do vizinho que decidiu, tipo assim em pleno sábado de manhã pregar o seu novo quadro, martelando diariamente no nosso cocoruco, a ideia que quanto mais consumimos, mais felizes nós seremos. Quem dera se simples assim fosse.

O surgimento do Movimento Slow

Com o boom do consumismo no período pós-guerra, a economia ocidental se apoiou numa produção de massa onde o consumo exagerado de bens estourou tão como milhos de pipoca na panela de pressão. Só que a pipoca eram as pessoas da nossa sociedade que apostaram todas as suas moedas numa economia de consumo e a panela de pressão os shoppings centers e centros comerciais, que aproveitaram a política de consumo desenfreado, onde as compras se tornaram um novo passatempo americano.

Contudo esse crescimento desmedido pós-guerra não passou sem gerar conflitos, pois paralelo a todo esse consumismo uma singela consciência sobre o impacto que os seres humanos causavam no Planeta, começou a surgir.

E foi através do movimento hippie que os conceitos de uma moda mais sustentável começou a germinar na consciência coletiva. Não porque eles não gostavam de pipoca mas sim por que a espiga de milho lhes pareciam muito mais apetitosa. Por exemplo a reciclagem e uso de roupas usadas, o consumo de produtos orgânicos e naturais na alimentação, bem como as compras realizadas em mercados de pulgas, começaram a surgir dando assim o pontapé inicial para que o propósito de Slow começasse a ser plantado e levado pelo mundo  afora, sem portanto ainda, se tornar um movimento.

Caminhando a passos lentos até o final dos anos 80 e entrando nos anos 90, a Moda Sustentável começou não só a interessar a galera do paz e amor mas também a galera fashion chegando assim às passarelas.

Um exemplo desse início de consciência pode ser remarcado através da coleção de Martin Margiela, designer belga e fundador da Maison Margiela, que apresentou em 1988 a primeira coleção em que um avental de couro de açougueiro foi reaproveitado em um vestido de noite. Transformando roupas de segunda mão e tecidos defeituosos em uma coleção exclusiva de passarelas, Martin usou a sua visão vanguardista para mostrar sua desaprovação referente ao consumismo desmedido e generalizado.

A Consciência do consumo exacerbado

Por anos, a indústria da moda foi regida pela velocidade e eficiência da produção em massa. Toneladas de peças de roupas eram produzidas num tempo curtíssimo e com o menor custo possível. Assim é composto o modelo econômico da Fast Fashion e as pessoas entre elas eu mesma, não viam nada de errado nesse modelo de produção de consumo, até mesmo porque toda a nossa sociedade é baseada nele.

Além de ser típico do ser humano (e nesse discurso, novamente repito eu não me excluo) o ato de agir e esperar para ver no que vai dar, sem antecipar as consequências das nossas ações para o planeta custou caro. Pois o lucro obtido com este tipo de produção que sempre foi visto como promissor para a sociedade, não é revertido para solucionar o estrago ecológico que ele ocasiona.

Além disso o Marketing utilizado para promover o consumo, não deixava por menos, já que utiliza estudos da neurociência para impulsionarem as pessoas a comprarem cada vez mais e com uma frequência sempre maior.

A tal da “próxima coleção” era ( e ainda é) impulsionada tão rápida quanto um piscar de olhos, nos levando a nos fazendo sentir sempre insatisfeitos com o que temos.

Contudo esse tipo de abordagem criou um círculo vicioso tanto para a nossa economia, quanto para nós mesmos. 

Pois nós consumidores perdemos o controle, consumindo além do que precisamos nos deparando com o passar do tempo, com inúmeras roupas que ocupam o nosso espaço sem termos ao menos a ideia de como nos livrarmos delas.

Além do mais a economia perdeu a capacidade de produzir roupas com preços que correspondam ao seu custo real, tendo assim que sacrificar a mão de obra para poder alimentar uma parte da sociedade nas suas “necessidades de consumo” desmedidas.

Tudo isso gerando uma relação tóxica entre de o manipulado (cliente) e o manipulador (as marcas) que alimentam a necessidade excessiva e incontrolável de consumo, através da ideia de que roupas de estações anteriores, refletem a imagem de pessoas desatualizadas, sinônimo nos dias de hoje de incompetência e inferioridade.

O modelo da Fast Fashion ainda carrega consigo outras questões relacionadas à sociedade e ao meio ambiente como a grande produção de CO2 durante as etapas de desenvolvimento e transporte de seus insumos, o uso de pesticidas e corantes artificiais que poluem as vertentes de água do subsolo, o descarte de toneladas de itens de vestuário todos os anos bem como as práticas trabalhistas ilegais, chegando a extremos de produção feitas sem segurança ou aproveitando e apoiando leis salariais abusivas existentes em países de segundo mundo.

Contudo a realidade enfim chegou a tona e nós consumidores podemos tirar a venda dos nossos olhos. Sendo assim a sociedade decidiu se informar e através das mídias compartilhar a discrepância que existe por detrás da fast fashion.

O que permitiu aos consumidores se tornarem mais conscientes e instruídos sobre o que envolve o processo de produção do vestuário nos últimos anos. Com isso começamos a cobrar das marcas, uma abordagem mais humana e justa na produção dos seus produtos.

O calcanhar de Aquiles da Slow Fashion

Apesar de nossa mentalidade ter avançado, muitas questões relacionadas a inovação das fibras e a reciclagem dos tecidos descartados ainda continuam sem respostas.

Ao mesmo tempo que a Slow Fashion nos permite guardar uma certa esperança eu ainda me questiono se não estamos trocando seis por meia dúzia.

Pois todos os dias mais e mais sites de e-commerce (inclusive o meu) facilitam a compra de roupas com apenas um clique – tornando todavia o mercado da moda descartável.

É necessário que se tenha uma abordagem holística de todo o processo, que se inicia a partir do momento da pesquisa para o desenvolvimento de uma peça até o momento de seu descarte ou reutilização.

Como a Dress me Kindly contribui para uma moda mais consciente e sustentável?

Apesar que muito ainda precisa ser feito na indústria da moda, nossa singela missão é proporcionar uma conscientização sobre o consumo do vestuário através da confecção das nossas próprias roupas. Nosso objetivo é dar a vocês a faca e o queijo na mão para que vocês possam participar do processo produtivo do seu vestuário tendo assim a certeza que ele foi produzido de forma correta segundo os seus princípios ou por você mesma ou por uma costureira da sua confiança.

Sendo assim me conta se você se sente preparada a costurar uma moda mais responsável com as suas próprias mãos e decisões? 

E claro convidamos você ainda a conhecer um pouco mais do nosso Conceito também como nossos Moldes de Peças do Vestuário Feminino através do nosso Site e Redes Sociais.

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