Moda em tempos de escassez: (PARTE II) como o DIY e o Upcycling se tornaram soluções diante aos recessos causados pelas crises

No último post vimos como a prática do Upcycling foi essencial para a superação da escassez causada pela Crise de 1929.

Hoje, veremos como o Do It Yourself, aliado ao reaproveitamento de tecidos ajudou mulheres ao redor do mundo a se vestirem e desenvolverem sua própria moda, mesmo em tempos de dificuldades sociais e econômica durante a Segunda Guerra Mundial.

Vem comigo!

 

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A sobrevivência da moda durante a Segunda Guerra Mundial

Como a maioria de vocês já deve imaginar, a Segunda Guerra Mundial foi um conflito ocorrido em 1939 a 1945, que deixou diversas famílias devastadas, fosse pela perda de pessoas queridas ou pela miséria.

Neste período, países como Inglaterra precisaram pausar a fabricação de diversos produtos, passando a concentrar os esforços nas demandas da guerra. Assim, mesmo os países que não participaram diretamente da disputa viram-se sem referencial, visto que grande parte do que era produzido e aspirado vinha de territórios envolvidos no conflito.

Assim como na Grande Depressão, a moda foi diretamente afetada pela escassez causada pela Guerra. Devido à falta de materiais e congelamento das importações marítimas, as roupas e tecidos passaram por um grande racionamento, sendo que quase todos os recursos têxteis eram destinados aos uniformes das tropas militares.

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Na Inglaterra e na França, por exemplo, a compra de artigos têxteis se dava somente através de cupons previamente cedidos pelo governo ou por cadernetas controladas. Com isso, muitas mulheres guardavam pequenos retalhos que sobravam para fazer golas e outros detalhes nas peças, conforme explica-nos o professor de História da Moda, João Braga:

“Em razão do aproveitamento de sobras de tecidos, torna-se moda o debrum de outra cor nas golas, mangas etc.; ou a gola, tampos de bolsos e acabamentos em outro tecido, servindo de enfeite para os momentos de crise econômica.”

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O traje Utility dos anos 1940

Muito embora o racionamento estivesse sendo eficaz, os custos dos tecidos estavam cada vez mais altos. Como solução a tal problema, a junta comercial estabeleceu o chamado “sistema utilitário”, limitando a quantidade de tecidos, aviamentos e até mesmo o número de bolsos das peças. Os autores Fiell e Dirix contam-nos com detalhes a respeito disso no livro A Moda da Década 1940. Leia comigo um trechinho:

“Foram lançadas instruções sobre a quantidade de tecido permitida para cada tipo de peça para todos os fabricantes, e seu não cumprimento resultava em redução ou mesmo na interrupção da alocação de materiais. As medidas de austeridade foram em última análise introduzidas para remover todos os elementos não essenciais das

roupas [..]isso significava não só a alocação de uma quantidade limitada de tecido por peça, mas também uma limitação da quantidade de bolsos, botões, costuras, pregas e babados. (FIELL;DIRIX, 2014, p.20).”

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Entretanto, por suas cores discretas e monótonas, o traje não agradava a todos. Portanto, era necessário encontrar outras alternativas…

 

 

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“Make Do and Mend”: o DIY como forma de consumo consciente

Apesar dos inúmeros esforços para equilibrar o comércio de roupas e tecidos, em 1942 as medidas de racionamento já não eram mais suficientes. Na Grã-Bretanha, a situação estava piorando cada vez mais, por isso, a junta comercial tentou lançar uma campanha chamada “remendar e improvisar para não comprar”, a fim de propagar que, quem remendava suas roupas ao invés de comprar novas, seria motivo de orgulho nacional e estaria contribuindo com as tropas militares.

Contudo, a campanha não foi bem aceita pelas mulheres britânicas, pois as mesmas já estavam fazendo o possível com os materiais que tinham em mãos.

A fim de contornar tal situação, o governo britânico – em parceria com o serviço de mulheres voluntárias – lançou então a campanha “Make Do and Mend” (Improvisar e Remendar). Através dela, cartilhas eram distribuídas para a população, nas quais personagens chamados “Senhor”e “Senhora Costura” ensinavam formas de reutilizar roupas e tecidos, além de fazê-los durar mais.

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Por meio do apoio da imprensa, a prática se fortaleceu e tornou-se popular, fortalecendo e incentivando assim a produção artesanal, a criatividade e o consumo consciente. Na França, por exemplo, circulavam matérias sobre a produção de roupas a partir de objetos e tecidos caseiros. Já nos Estados Unidos, era possível alugar máquinas de costura e fazer cursos sobre reutilização de materiais.

Tudo a ver com o DIY e o Upcycling, né?!

 

Mas Gaby, e hoje? Como podemos utilizar o DIY e o Upcycling em meio a crise?

Bem, não somente em momentos de crises explícitas eu diria, mas em qualquer circunstância social ou financeira tais práticas podem nos ajudar e muito!

Na verdade, se analisarmos bem perceberemos que vivemos em uma crise silenciosa há anos – ambiental, social e até mesmo muitas vezes pessoal. Tanto o trabalho artesanal quando o Upcycling e o DIY têm o poder de transformar nossa visão sobre o consumo, ressignificar materiais que muitas vezes seriam tratados como descartáveis, ao mesmo tempo em que contribui para a redução do desperdício (e com isso nosso bolso agradece!).

Então, bora aprender a fazer suas próprias peças e exercitar a criatividade?

A Dress Me Kindly nasceu exatamente para trazer-lhe liberdade neste sentido. Acesse dressmekindly.com/shop, conheça nossos moldes de costura e comece sua própria jornada de economia, autoconhecimento e consumo consciente através da costura!

 


 Referências:

The Guardian: Fashion on the ration: how make do and mend defined wartime style

IWM: Make Do and Mend, 1943

Charlotte Fiell: A Moda da Década de 1940

IWM: 1940s Fashion: How to get the look

Come Step Back in Time: Rationing Fashion in 1940s Britain – Make Do & Mend

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